2016 será um ano muito promissor para o sorgo Biomassa



Por Ricardo Blandy* – A escassez de recursos hídricos que tem afetado o País nos últimos anos fez com que repensássemos nossa matriz energética e o próprio consumo. A exemplo de outros países mais desenvolvidos, o Brasil voltou os olhos para alternativas sustentáveis na produção de energia.

A energia produzida por meio de biomassa é uma das boas alternativas de energia limpa e vem ganhando mais espaço no mercado, principalmente no setor de usinas e indústrias que conseguem reaproveitar subprodutos de sua produção original. O sorgo se destaca entre os diferentes tipos de matérias-primas que podem ser usadas na produção energética com biomassa. Qualquer empresa que produza energia por meio de queima de biomassa em suas caldeiras pode utilizar o sorgo, que não necessita de nenhuma tecnologia específica para seu cultivo. Além de ser uma matéria-prima dedicada, que garante um aproveitamento melhor e total do produto, possui alto poder calorífico que otimiza o processo de geração de energia.

Com as novas medidas governamentais que incentivam a microgeração e as resoluções do COP 21 – em que o Brasil traçou como meta aumentar de 28% para 33% as fontes renováveis de energia até 2030 – é hora de avaliar também o tipo de matéria-prima que será utilizada nessa produção levando em conta o aproveitamento, custo e tempo.

O cenário atual para estes produtos é positivo e tudo indica que 2016 será um ano promissor. Diferente da energia eólica e solar, os fornecedores de biomassa são nacionais e seus preços não são muito afetados pela alta do dólar. Além disso, os incentivos apontados pelo governo podem facilitar o desenvolvimento de novas tecnologias para caldeiras e compra de equipamentos.

Entre 2003 e 2015, o BNDES destinou recursos a 285 projetos de geração de energia. Destes, 108 empreendimentos foram de energia eólica e biomassa que receberam um total de R$ 22,7 bilhões em financiamentos. Em 2016, estima-se que a geração por biomassa vá adicionar 145 Megawatts de energia à matriz energética. O número ainda é pequeno se compararmos com energia eólica – que deve adicionar 2,9 Gigawatts – mas está abrindo caminho para crescer ainda mais nos próximos anos.

O aumento na utilização de biomassa reduz o consumo de combustíveis fósseis, como petróleo e seus derivados, que não são matérias-primas renováveis. O Brasil possui condições naturais favoráveis à produção de biomassa e, portanto, tem tudo para assumir uma posição de destaque neste cenário.

Vantagens do sorgo Biomassa
O sorgo Biomassa é uma cultura resistente e que se adapta muito bem a qualquer região do Brasil. Possui alto rendimento de matéria seca e baixa umidade residual na biomassa, além de baixo nível de emissão de CO2. Outra vantagem é a rapidez com que se desenvolve. Ele produz cerca de 40 toneladas por hectare em apenas 3 meses. Além disso, pode ser colhido entre 90 a 120 dias após o plantio e cultivado no período de safrinha de outras culturas. Serve também como opção complementar à soja e milho. Cerca de duas toneladas úmidas de sorgo biomassa geram 1MW de eletricidade.

O cultivo pode ser feito pelas próprias empresas ou por parceiros agricultores que trabalham no plantio, cultivo e colheita. O momento é de identificar oportunidades para essa cultura que está destinada a ocupar mais espaço no mercado de biocombustão, pois atende todos os elos da cadeia de suprimentos de com grande eficiência. A perspectiva de grandes investimentos nos próximos anos e o olhar atento de indústrias para esse tipo de energia contribuem para o cenário otimista. Os avanços tecnológicos do setor, aliados ao grande território para seu plantio e desenvolvimento levam à conclusão que o sorgo Biomassa é a bola da vez em termos de produção de energia limpa e sustentável.

*Ricardo Blandy é Vice presidente Business Development South America da Nexsteppe.


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Publicado em Janeiro de 27th, 2016 em Categories: noticias Comments: Comments Off


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