Alagoas inicia cultivo de sorgo



Serão cerca de 500 hectares cultivados inicialmente e de forma experimental por usinas localizadas nas regiões Norte e Central do Estado.

Alagoas inicia neste mês a produção de sorgo cultivado como complemento à cana-de-açúcar e destinado à produção do etanol. Serão cerca de 500 hectares cultivados inicialmente e de forma experimental por usinas localizadas nas regiões Norte e Central do Estado, segundo informou a Nexsteppe, que trabalha com esta matéria-prima. O. vice-presidente da empresa, Ricardo Blandy aponta as vantagens da utilização do sorgo na produção sustentável de biocombustíveis em Alagoas.

De acordo com ele, o Estado possui um enorme potencial para produzir etanol nas áreas de renovação dos canaviais como complemento à cana de açúcar, melhorando os resultados da safra.

“O sorgo não chega para competir com a cama, mas para ser um complemento”, destacou Blandy, lembrando que no passado houve uma experiência semelhante no Estado. Ele cita que, de acordo com a União da Indústria de Cana de Açúcar (Única), a alta do preço dos combustíveis fósseis, como petróleo e derivados, impulsionou a busca por biocombustíveis e o etanol teve uma procura muito alta em 2015.

No entanto, observa Blandy, o volume de cana-de-açúcar produzido no Estado de Alagoas nesta safra não será suficiente para atender a demanda do mercado por etanol, devido à baixa taxa de renovação e investimentos nos canaviais e ao longo período de estiagem e instabilidade climática no Nordeste. “A cana leva de um a um ano e meio para ser cultivada e processada, enquanto que o sorgo leva de três a quatro meses, ou seja, um quarto do tempo. A produção do etanol a partir da cana-de-açúcar é de cinco mil litros por hectare, enquanto que a do sorgo é de 2,5 mil litros, mas em tempo bem menor”, comparou ovice-presidente da Nexsteppe.

ROTAÇÃO

A empresa se dedicada ao desenvolvimento pioneiro de matérias-primas sustentáveis para as indústrias de bioenergia, biocombustíveis e bioprodutos. Blandy revela que o sorgo também pode ser cultivado em áreas de renovação de canavial e em áreas de rotação de culturas, sendo uma opção para início de safra.

Segundo ele, é possível colher o sorgo dentro de um período de 90 a 110 dias após plantado, fazendo com que os primeiros canaviais fiquem um período maior no campo, acumulando açúcares.

Dessa maneira garante-se o recebimento da cana com maior qualidade de matéria prima e melhores resultados na produção de etanol. Por ser uma cultura de rápida colheita, o sorgo aumenta o volume de matéria-prima para a produção de etanol, diluindo os custos fixos e podendo ser cultivado durante a safra ou em condições de irrigação.

“O custo de produção é bem menor se comparado à cana. Gasta-se a metade”, aponta Blandy. “Ele pode ser plantado em áreas de renovação e de safrinha”, acrescentou.

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Espécie permite cultivo com espaçamento de até 50 cm.

Matéria-prima tem alta concentração de açúcar.

É possível usar o bagaço da planta рата соgeгаҫӑо de energia.

O sorgo possui alta concentração de açúcares e capacidade produtiva de etanol chegando a 3mil l./ha (litro por hectare). Como tem boa arquitetura vegetativa, possibilita plantios em espaçamentos de 45 a 50 cm e o cultivo pode ser realizado com os mesmos equipamentos das culturas de milho, soja e amendoim.

“Além do uso dos açúcares fermentáveis para produção de etanol de primeira geração, é possível utilizar seu bagaço para cogeração de energia. Trata-se de uma cultura dedicada à produção de energia limpa e renovável, que contribui para a sustentabilidade e o meio ambiente, ajudando o País a não depender de combustíveis fósseis”, explica o vice-presidente da Nexsteppe, Ricardo Blandy.

A matéria-prima garante, também, que fornecedores de cana próximos à usina possam cultivar sorgo para fornecer às indústrias mediante contrato de fornecimento com preço estipulado em toneladas/ hectare, complementando seus rendimentos durante este período e fazendo com que as usinas consigam chegar ao seu volume máximo de produção, aponta o vice-presidente.

VIÁVEL

Para o superintendente de Desenvolvimento Agropecuário da Secretaria de Estado da Agricultura, Pesca e Aquicultura (Seagri), Ibernon Cavalcante, do ponto de vista agronômico o plantio de sorgo para a produção de etanol é economicamente viável.

“Trata-se de uma cultura de ciclo rápido, com, no máximo, 120 para colher. Você planta em abril para colher em agosto, antecipando a safra da cana. Então, do ponto de vista agronômico, é viável. Agora, para o produtor, a venda do sorgo destinado à silagem talvez seja mais rentável, uma vez que, diante da seca dos últimos quatro anos, há uma grande necessidade por ração animal, fazendo com que a remuneração seja maior”, comparou Calvacante.

Fonte: Gazeta de Alagoas – Impresso
Repórter: Severino Carvalho

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Publicado em Abril de 7th, 2016 em Categories: noticias Comments: Comments Off


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