Nexsteppe quer carteira de clientes estável no Brasil



Nexsteppe quer carteira de clientes estável no Brasil

Em entrevista exclusiva, Ricardo Blandy, novo vice-presidente da empresa, afirma vontade de ampliar atuação no país

Depois de vender, somente no Brasil, um volume de sementes de sorgo equivalente ao plantio de 10 mil hectares em 2014, a Nexsteppe — startup norte-americana que investe em híbridos de sorgo para produção de biomassa e etanol — anunciou a contratação de Ricardo Blandy para o cargo de vice-presidente para a América do Sul. Blandy atua no setor de agribusiness há 12 anos e passou por empresas como Czarínikow, Monsanto e Novozymes em locais como São Paulo, Índia e Cingapura.

Em entrevista exclusiva à Brasil Energia, o novo vice-presidente detalha as principais ações da Nexsteppe para ampliar ainda mais sua presença no mercado brasileiro, atualmente responsável pelo maior volume de vendas da companhia.

Como foi sua entrada na Nexsteppe para a vice-presidência do mercado sul-americano?
Eu trabalhei na Novozymes por mais de dois anos como líder da operação de álcool de segunda geração e conversão de biomassa na América Latina. Antes disso, já tinha trabalhado com álcool, em uma indústria chamada Czarnikow. Então, para mim, a área de biocombustíveis não era novidade. Como também trabalhei em uma empresa de sementes, a Monsanto, a entrada na Nexsteppe se tornou uma combinação de experiências, com biocombustível, bioenergia e sementes. Na verdade, foi totalmente natural.

Quais são suas principais metas na empresa?
A Nexsteppe é uma startup, que tem cinco anos de vida. A estratégia de negócio é a venda de sementes geneticamente modificadas a produtores agrícolas, mas também fazemos consultorias de plantio e colheita. Nossa grande meta é estabelecer um patamar de vendas que seja aderente com o plano de negócios da empresa. Ano passado, a Nexsteppe vendeu 10 mil hectares de sorgo no Brasil. O objetivo desse ano é ter um resultado ainda melhor, com forte crescimento. Esse resultado será contabilizado em breve, com o fechamento do ano fiscal.

Outra grande meta é estabelecer uma carteira de clientes saudável, com um patamar de vendas estável. O momento que o Brasil vive hoje é muito delicado, com setores agrícolas passando por dificuldades. Hoje, temos um time de vendas espalhado pelo Brasil, com representantes divididos entre São Paulo e Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais, e outro na nova fronteira agrícola, que inclui Maranhão, Piauí, Bahia e Tocantins. Com os times de vendas e técnico, faremos uma carteira saudável de clientes em cada uma das regiões brasileira para os mercados de biomassa e etanol. Além do biogás, que é um plano mais embrionário.

Também existe a intenção de expandir o número de plantas no país?
Uma das nossas metas é expandir o alcance geográfico da empresa. A ideia é que possamos atingir um número maior agricultores e indústrias no Brasil, e também fora do país. Hoje, temos parcerias estabelecidas com grupos do Uruguai e da Colômbia e estamos em negociação com produtores da Argentina e do Paraguai. Mesmo aumentando o alcance, a ideia é estabilizar a carteira de clientes. No Brasil, hoje o foco é a geração de energia através da biomassa, que é queimada nas caldeiras. No exterior, o apelo é maior pelo sorgo Malibu, para produção de etanol. Cada mercado tem suas peculiaridades.

Atualmente, quais são os principais clientes da Nexsteppe no Brasil?
Já temos vários clientes, como a GranBio, CMAA, Odebrecht, Raízen. Nossa carteira abrange desde clientes de grande porte, como produtores menores. Nesse mercado, o produto principal é o sorgo Palo Alto, voltado para a produção de biomassa. A Nexsteppe também faz essa ponte, ajudando produtores a fechar contratos de venda com compradores de biomassa.

O Brasil ainda é o maior mercado consumidor da companhia?
Sim. O Brasil é o maior mercado consumidor da Nexsteppe no mundo por três grandes motivos: é uma potência agrícola, tem a frota de veículos flex e tem grande capacidade para produção de energia através da biomassa. O Brasil serve de referência para outros mercados da Nexsteppe em outros lugares do mundo, como China, Alemanha, Estados Unidos, até mesmo alguns negócios na Holanda e na Tailândia.

Como foi trabalhar em outras regiões do mundo e qual a expertise que você poderá trazer para o Brasil após ter conhecido de perto o mercado exterior?
Eu trabalhei quase dois anos na Ásia. A agricultura asiática tem uma características muito interessantes. São propriedades menores, em que todos os elos da cadeia tem que se comunicar, se conectar e negociar para os negócios funcionarem. Falta isso no Brasil. Um aprendizado que tive na Ásia e trago para o Brasil é promover a conversa do agricultor com os representantes da indústria, e desses com os produtores de insumos, de fertilizantes e representantes de outros serviços. A habilidade de juntar as pontas e fazer uma conexão entre as pessoas envolvidas no processo ajuda muito no desenvolvimento da produção.

Quais serão os próximos investimentos da Nexsteppe e o que será desenvolvido?
A Nexsteppe está sempre investindo em desenvolvimento. Quereremos produzir sementes de sorgos cada vez mais adaptadas às regiões brasileiras e apropriadas às necessidades do mercado. Hoje, temos os sorgos Palo Alto e Malibu. Também estamos trazendo um produto de alta potência para biogás ao mercado, além de uma série de produtos para etanol de segunda geração. Assim como desenvolver sementes de sorgo cada vez mais especializadas, também precisamos de produtos que se adaptem à indústria brasileira.

Existe a intenção de investir em fábricas para produção dessa matéria-prima?
Temos parceiros que fazem isso. Pelo menos nesse ano, a Nexsteppe não pretende investir em ativos ou plantas para produção de sementes. Investir em fábricas ainda não é nosso objetivo. A meta é fazer vendas e expandir nosso pessoal. Faremos a contratação de mais seis ou oito funcionários nos próximos anos, tanto para os times técnico como comercial.

E quais são os planos para o biogás?
Já fizemos diversos investimentos em biogás, principalmente na Alemanha. Nosso representante na Europa tem focado bastante em biogás, assim como as equipes de análise química. Nossos pesquisadores buscam a matéria-prima perfeita para produzir biogás. Fazemos análise química de cada uma das sementes de sorgo para achar a melhor composição possível e, assim, desenvolvemos as sementes que apresentam o melhor resultado. Vamos lançar essa série de produtos de biogás, chamada alta potência, e a ideia é trazê-los para o Brasil ainda nessa safra. Também faremos novos testes de materiais provavelmente na próxima safrinha, durante o inverno.

Como está o mercado de sementes para produção de etanol no Brasil?
No Brasil, as vendas são focadas no sorgo Palo Alto, para bioenergia. Infelizmente, o etanol, produzido com o sorgo Malibu, apresenta um mercado bem quieto, que não produz como foi pensado. O setor de açúcar e álcool tem sofrido bastante com a política de preços. Hoje, o que falta no mercado é preço, não matéria-prima. Isso ficará assim enquanto não tivermos uma política adequada de preço e de desenvolvimento estratégico do setor para margens e custos.

Possivelmente, o mercado vai continuar andando de lado… Estável. Temos um cenário nacional em que o governo atual controla preços e temos um cenário global em que o preço do barril de petróleo está artificialmente no patamar de US$ 40/US$ 50. Na nossa visão, são dois movimentos não permanentes e não naturais. São movimentos artificiais e, basicamente, políticos. Estamos aguardando que os cenários mudem para que possamos investir mais no sorgo Malibu e no crescimento do setor de etanol brasileiro.

Você acredita então que esse mercado tem um forte potencial de crescimento no Brasil, mas uma política pública que não facilita o processo?

Exatamente.

 

 

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Publicado em Outubro de 17th, 2015 em Categories: noticias Comments: Comments Off


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